O laudo veio com “condromalácia grau II” e agora? Entenda o que o termo significa de verdade, por que o grau importa menos do que parece e o que funciona no tratamento.

Poucos termos geram tanta ansiedade em um laudo quanto “condromalácia patelar”. Ele soa grave, aparece com um grau ao lado e costuma ser lido como sentença. Na prática, descreve algo bem mais simples: uma alteração na cartilagem que reveste a face posterior da patela, a rótula.
A patela desliza sobre a extremidade do fêmur em um sulco, como um trilho, cada vez que você dobra e estende o joelho. A superfície de contato é revestida por cartilagem, que permite esse deslizamento com atrito mínimo. Quando essa cartilagem amolece, fissura ou perde espessura, o termo usado é condromalácia.
A causa raramente é uma só. Normalmente combina sobrecarga repetitiva, desequilíbrio muscular, alterações no alinhamento da patela dentro do sulco e, às vezes, um trauma direto na rótula.
A classificação mais usada descreve quatro graus, do amolecimento superficial até a exposição do osso subcondral. É uma escala descritiva, útil para o cirurgião registrar o que viu, mas com correlação fraca com a intensidade da dor.
Existem pacientes com grau III praticamente sem sintomas e pacientes com grau I com dor limitante. A cartilagem, por si só, não tem terminações nervosas — a dor vem do osso subjacente, da membrana sinovial e das estruturas ao redor. Por isso, tratar o grau do laudo não faz sentido; tratar o paciente, sim.
A grande maioria dos casos é resolvida sem cirurgia. O programa tem quatro frentes:
Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser usados por períodos curtos para permitir o início do programa, mas não são o tratamento em si.
É exceção. Ela é considerada em lesões focais bem delimitadas da cartilagem que não respondem ao tratamento conservador, e em casos de instabilidade ou mau alinhamento da patela em que a correção do trajeto muda o resultado. Nesses casos, existem técnicas específicas de tratamento da lesão condral e de realinhamento.
Nunca se opera um laudo. Opera-se um paciente com sintomas persistentes, achado compatível e falha do tratamento clínico bem conduzido.
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