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Lesão de cartilagem no joelho: o que é e quais são as opções

A cartilagem não cicatriza sozinha como outros tecidos. Entenda a diferença entre lesão focal e artrose, e quais técnicas existem para tratar cada situação.

Por Dr. Guilherme Alvim · CRM-RJ 907464 · RQE 46089Publicado em 11/02/20263 min de leitura
Lesão de cartilagem no joelho: o que é e quais são as opções

Resumo rápido

  • Cartilagem articular não tem vasos sanguíneos e por isso praticamente não cicatriza sozinha.
  • Lesão focal em paciente jovem e artrose difusa são problemas distintos, com tratamentos distintos.
  • Técnicas de reparo funcionam melhor em lesões pequenas, bem delimitadas e com eixo alinhado.
  • Corrigir a causa — sobrecarga, desalinhamento, instabilidade — é parte do tratamento, não um detalhe.

A cartilagem articular é um tecido notável: mais liso que o gelo em termos de atrito, capaz de suportar cargas várias vezes o peso do corpo, milhões de vezes ao longo da vida. Ela tem, porém, uma limitação decisiva — não possui vasos sanguíneos. Sem irrigação, não há o processo inflamatório de reparo que cicatriza outros tecidos. Por isso uma lesão condral, uma vez instalada, praticamente não se resolve sozinha.

Lesão focal x artrose difusa

Essa distinção comanda todo o tratamento.

Lesão focal (condral ou osteocondral)

Uma área bem delimitada de cartilagem danificada, cercada por cartilagem saudável. Costuma aparecer em pacientes jovens, muitas vezes após trauma, torção ou luxação da patela. É a situação em que técnicas de reparo fazem sentido.

Artrose difusa

Desgaste espalhado, com toda a articulação envolvida. Não existe “borda saudável” para ancorar um reparo. Aqui o tratamento é o da artrose: exercício, controle de peso, medicação e, em casos avançados, osteotomia ou prótese.

Tentar aplicar técnicas de reparo condral em uma artrose difusa é a receita mais comum de resultado frustrante. O tamanho e o contexto da lesão são tudo.

Sintomas

  • Dor profunda, mal localizada, que piora com carga e impacto.
  • Inchaço recorrente após atividade.
  • Sensação de travamento ou de algo solto, quando há fragmento livre.
  • Estalos com dor associada.
  • Em lesões pequenas, o quadro pode ser silencioso por bastante tempo.

Como é feito o diagnóstico

A ressonância magnética é o exame principal, com sequências específicas para cartilagem. Ainda assim, ela costuma subestimar o tamanho real da lesão — a extensão definitiva muitas vezes só é conhecida durante a artroscopia. Radiografias com carga e panorâmica do membro entram para avaliar espaço articular e alinhamento, que influenciam diretamente a indicação.

As opções de tratamento

Tratamento conservador

Primeira linha em muitos casos: fortalecimento, ajuste de carga, controle de peso e, quando indicado, infiltrações. Lesões pequenas e assintomáticas podem simplesmente ser acompanhadas.

Estímulo da medula óssea (microfratura e variações)

Perfurações no osso subcondral permitem que células da medula alcancem a lesão e formem um tecido de reparo. É uma técnica simples, feita por artroscopia, com bons resultados em lesões pequenas. A ressalva: o tecido formado é fibrocartilagem, mecanicamente inferior à cartilagem original, e o resultado tende a se deteriorar com o tempo em lesões maiores ou em pacientes de alta demanda.

Transplante osteocondral

Transferência de cilindros de cartilagem com osso, retirados de área de menor carga do próprio joelho (autólogo) ou de doador (aloenxerto), para preencher o defeito. Restaura cartilagem verdadeira, o que é uma vantagem importante, mas tem limitação de área disponível no caso autólogo.

Técnicas com membranas e cultura de condrócitos

Envolvem a implantação de matrizes ou de células cultivadas para regenerar o tecido. São procedimentos mais complexos, muitas vezes em dois tempos cirúrgicos, indicados em lesões maiores e em centros com estrutura específica.

O que determina o resultado

Independentemente da técnica escolhida, os fatores que mais pesam são os mesmos:

  1. Tamanho e localização da lesão.
  2. Idade e demanda do paciente.
  3. Alinhamento do membro — uma lesão no compartimento sobrecarregado por um joelho varo tende a falhar se o eixo não for corrigido, muitas vezes com uma osteotomia associada.
  4. Estabilidade ligamentar — um joelho instável continua machucando a área reparada.
  5. Estado dos meniscos — sem menisco, a carga se concentra e compromete o reparo.
  6. Adesão à reabilitação, que costuma ser longa e com restrição de carga por várias semanas.

Em outras palavras: tratar o buraco na cartilagem sem tratar o motivo pelo qual ele apareceu é resolver metade do problema.

Perguntas frequentes

Cartilagem regenera?
Espontaneamente, não. Algumas técnicas cirúrgicas produzem tecido de reparo, que pode ser fibrocartilagem ou cartilagem semelhante à original, dependendo do método. Nenhum tratamento clínico ou suplemento demonstrou regenerar cartilagem.
Lesão de cartilagem sempre vira artrose?
Não sempre, mas lesões grandes, em áreas de carga e não tratadas, aumentam o risco. Fatores como alinhamento, estabilidade e integridade meniscal influenciam bastante essa evolução.
Quanto tempo dura a recuperação?
Costuma ser mais longa do que a de outras cirurgias do joelho. Muitos protocolos envolvem restrição de carga por semanas e retorno ao esporte após vários meses, variando com a técnica.
Posso praticar esporte depois?
Muitos pacientes retornam a atividades esportivas, especialmente após reparos bem-sucedidos em lesões pequenas. Esportes de impacto repetido exigem avaliação individual.
Este conteúdo é informativo. Ele não substitui a consulta médica: o diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual. Agende sua consulta para avaliar o seu caso.
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Dr. Guilherme Alvim, ortopedista especialista em joelho
Dr. Guilherme Alvim
Ortopedista · Especialista em Joelho

Medicina pela Universidade Gama Filho, residência em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas de Teresópolis e especialização em Cirurgia do Joelho pela UNIRIO. Membro da SBOT e da SBCJ. Atende no Centro do Rio de Janeiro e em Niterói.

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