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Artrose

Prótese de joelho: quando é indicada e como é a recuperação

Não é a radiografia que indica a prótese — é o impacto na vida. Entenda os critérios, a diferença entre prótese parcial e total e o que esperar do pós-operatório.

Por Dr. Guilherme Alvim · CRM-RJ 907464 · RQE 46089Publicado em 06/05/20263 min de leitura
Prótese de joelho: quando é indicada e como é a recuperação

Resumo rápido

  • O critério principal é funcional: dor que atrapalha o sono e limita andar, subir escadas e levantar da cadeira.
  • A prótese parcial preserva ligamentos e osso, mas só serve para artrose limitada a um compartimento.
  • A reabilitação começa ainda no hospital e o resultado melhora ao longo de todo o primeiro ano.
  • Atividades de baixo impacto são estimuladas; esportes de impacto e contato, não.

A artroplastia do joelho — o nome técnico da prótese — substitui as superfícies articulares desgastadas pela artrose por componentes de metal e polietileno. É uma das cirurgias ortopédicas com melhores índices de satisfação, e também uma das mais mal compreendidas por quem está prestes a decidir.

O que realmente indica a prótese

Não é o grau na radiografia. O critério principal é o impacto na vida:

  • Dor que atrapalha o sono ou aparece em repouso.
  • Dificuldade para andar distâncias curtas, subir escadas ou levantar de uma cadeira.
  • Perda de autonomia nas atividades do dia a dia.
  • Falha de um tratamento conservador bem conduzido — fisioterapia, controle de peso, medicação, eventualmente infiltrações.

Se a dor é ocasional, controlada com medidas simples e não limita a rotina, a prótese não é o próximo passo, por pior que a imagem pareça. Por outro lado, adiar indefinidamente uma cirurgia necessária tem custo: perda de massa muscular, deformidade progressiva e recuperação mais difícil depois.

Prótese total e prótese parcial

Artroplastia total

Substitui os três compartimentos do joelho. É a opção mais frequente quando a artrose é difusa ou quando há deformidade importante. Tem histórico longo, resultados previsíveis e ampla documentação de sobrevida a longo prazo.

Artroplastia parcial (unicompartimental)

Substitui apenas o compartimento comprometido, preservando os ligamentos cruzados e a maior parte do osso. Indicada em casos selecionados de artrose limitada a uma região, com bons ligamentos e sem deformidade fixa. Tende a permitir recuperação mais rápida e sensação de joelho mais “natural”, com a contrapartida de exigir critérios de indicação mais estritos.

Como é o planejamento

O planejamento parte de radiografias com escala e avaliação do eixo do membro, complementados quando necessário por tomografia. Define-se o tamanho e a posição dos componentes, o alinhamento desejado e o balanço das partes moles.

Recursos de planejamento digital e sistemas de assistência cirúrgica ajudam a executar esse plano com precisão. Vale a ressalva: a tecnologia é uma ferramenta de execução — quem define a estratégia é a avaliação clínica de cada caso. Falo mais sobre isso no artigo sobre cirurgia robótica no joelho.

A recuperação, na prática

A reabilitação começa ainda no hospital, com estímulo à marcha e à mobilidade nas primeiras 24 horas. Nas primeiras semanas, o foco é ganhar amplitude de movimento, controlar o inchaço e recuperar a força do quadríceps.

Uma expectativa realista: a maior parte dos pacientes retoma as atividades cotidianas ao longo dos primeiros dois a três meses, com melhora progressiva que continua ao longo de todo o primeiro ano. Inchaço e sensação de calor no joelho por vários meses são esperados, não sinal de problema.

O resultado de uma prótese é construído em conjunto: cirurgia bem executada, reabilitação bem feita e paciente comprometido. Falhar em qualquer uma das três pontas compromete o conjunto.

O que dá para fazer depois

Atividades de baixo impacto são estimuladas: caminhada, bicicleta, natação, hidroginástica, golfe, dança de salão. Esportes de impacto repetido e de contato — corrida de longa distância, futebol, basquete — costumam ser desaconselhados, porque aumentam o desgaste do polietileno e o risco de soltura dos componentes.

Sobre durabilidade: as próteses modernas apresentam boa sobrevida a longo prazo na maioria dos pacientes, mas o desempenho individual depende de peso, nível de atividade, qualidade óssea e acompanhamento. Esse número deve ser discutido caso a caso, com os dados do seu quadro.

Perguntas frequentes

Existe idade mínima ou máxima para a prótese?
Não existe um número fixo. A indicação leva em conta o grau de artrose, a limitação funcional, as condições clínicas gerais e as expectativas do paciente. Pacientes mais jovens costumam ser orientados sobre a possibilidade de revisão no futuro.
Vou sentir o joelho como antes?
A dor da artrose costuma ser resolvida, mas o joelho protético tem sensação diferente do natural. Ajoelhar-se pode permanecer desconfortável, e a amplitude final varia. Expectativas alinhadas antes da cirurgia são parte do bom resultado.
Quanto tempo fico internado?
Costuma ser alguns dias, variando com a evolução clínica, o controle da dor e a segurança para a marcha em casa. O planejamento é individual.
Preciso operar os dois joelhos?
Quando ambos estão comprometidos, o mais comum é operar um de cada vez, permitindo que a perna já recuperada apoie a reabilitação da outra.
Este conteúdo é informativo. Ele não substitui a consulta médica: o diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual. Agende sua consulta para avaliar o seu caso.
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Dr. Guilherme Alvim, ortopedista especialista em joelho
Dr. Guilherme Alvim
Ortopedista · Especialista em Joelho

Medicina pela Universidade Gama Filho, residência em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas de Teresópolis e especialização em Cirurgia do Joelho pela UNIRIO. Membro da SBOT e da SBCJ. Atende no Centro do Rio de Janeiro e em Niterói.

CRM-RJ 907464 · RQE 46089 · TEOT 14965  ·  Ver perfil completo
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