
A artroplastia do joelho — o nome técnico da prótese — substitui as superfícies articulares desgastadas pela artrose por componentes de metal e polietileno. É uma das cirurgias ortopédicas com melhores índices de satisfação, e também uma das mais mal compreendidas por quem está prestes a decidir.
Não é o grau na radiografia. O critério principal é o impacto na vida:
Se a dor é ocasional, controlada com medidas simples e não limita a rotina, a prótese não é o próximo passo, por pior que a imagem pareça. Por outro lado, adiar indefinidamente uma cirurgia necessária tem custo: perda de massa muscular, deformidade progressiva e recuperação mais difícil depois.
Substitui os três compartimentos do joelho. É a opção mais frequente quando a artrose é difusa ou quando há deformidade importante. Tem histórico longo, resultados previsíveis e ampla documentação de sobrevida a longo prazo.
Substitui apenas o compartimento comprometido, preservando os ligamentos cruzados e a maior parte do osso. Indicada em casos selecionados de artrose limitada a uma região, com bons ligamentos e sem deformidade fixa. Tende a permitir recuperação mais rápida e sensação de joelho mais “natural”, com a contrapartida de exigir critérios de indicação mais estritos.
O planejamento parte de radiografias com escala e avaliação do eixo do membro, complementados quando necessário por tomografia. Define-se o tamanho e a posição dos componentes, o alinhamento desejado e o balanço das partes moles.
Recursos de planejamento digital e sistemas de assistência cirúrgica ajudam a executar esse plano com precisão. Vale a ressalva: a tecnologia é uma ferramenta de execução — quem define a estratégia é a avaliação clínica de cada caso. Falo mais sobre isso no artigo sobre cirurgia robótica no joelho.
A reabilitação começa ainda no hospital, com estímulo à marcha e à mobilidade nas primeiras 24 horas. Nas primeiras semanas, o foco é ganhar amplitude de movimento, controlar o inchaço e recuperar a força do quadríceps.
Uma expectativa realista: a maior parte dos pacientes retoma as atividades cotidianas ao longo dos primeiros dois a três meses, com melhora progressiva que continua ao longo de todo o primeiro ano. Inchaço e sensação de calor no joelho por vários meses são esperados, não sinal de problema.
Atividades de baixo impacto são estimuladas: caminhada, bicicleta, natação, hidroginástica, golfe, dança de salão. Esportes de impacto repetido e de contato — corrida de longa distância, futebol, basquete — costumam ser desaconselhados, porque aumentam o desgaste do polietileno e o risco de soltura dos componentes.
Sobre durabilidade: as próteses modernas apresentam boa sobrevida a longo prazo na maioria dos pacientes, mas o desempenho individual depende de peso, nível de atividade, qualidade óssea e acompanhamento. Esse número deve ser discutido caso a caso, com os dados do seu quadro.
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